12 de Novembro de 2009

Oh, Oh, Oh!

Diz que o Natal está à porta. E não, não é pelas luzes que já estão espalhadas pela cidade e se vão acender mais dia menos dia, nem pelas decorações das montras. Não é pelos anúncios a bombons, a brinquedos nem a cachecóis. É mesmo porque os funcionários da EMEL saíram todos à rua e andam em desvario a ver quem bate mais pontos! (Aposto que têm pérfidos gráficos luminosos que mostram quem "angariou" mais "trocos"...)

Aos filhos da p*ta que ontem me rebocaram o carro para o c* de Judas: espero que tenham um Natal muito, muito feliz, cheio de coisas boas! Isto se sobreviverem à praga que vos roguei, GRANDES RAMELOSOS!!!

Aos que me lêem: tenham um resto de bom dia, sim?

10 de Novembro de 2009

Zaahirah, a desastrada

O que eu gostava mesmo era de ser como as personagens femininas dos filmes românticos. Assim alta, gira, elegante e cheia de personalidade ... ah espera, que disparate, não era sobre isto que queria falar!

Voltemos ao início.

O que eu gostava mesmo era de ser como as personagens femininas dos filmes românticos. E ter sempre o cabelo impecavelmente penteado mesmo nos dias de chuva e vento.
Poder correr para o meu mais-que-tudo (ou para apanhar o autocarro, ou para o que quer que fosse) sem me estatelar ao comprido no chão.
Poder marcar um jantar a 2 sem ter a certeza de que vou entornar qualquer coisa na roupa (na minha ou na dele), que não vai sair nem mesmo indo à lavandaria.
Poder sorrir depois do tal jantar sem receio de ter qualquer coisa agarrada aos dentes.
Poder deslizar suavemente a noite toda com um copo na mão sem entornar uma gota que fosse.
Poder andar em sua direcção, de forma sedutora e olhar fixo, sem tropeçar nem empurrar ninguém pelo caminho.
Poder beijá-lo de surpresa sem que o meu nariz se esborrachasse contra o dele nem os meus óculos lhe vazassem um olho.
Poder dançar agarradinha sem medo de lhe dar uma pisadela com o meu delicado 41.
And so on, and so on...

Sim, era só mesmo isto que eu queria.

Porque, para que conste, sou a rapariga mais desastrada do mundo e todas as desgraças que me puderem acontecer, decerto acontecerão (como ficar sem bateria e não poder avisar que não ia conseguir aparecer no 1º encontro).

Sim, já me chamaram de muita coisa, incluindo de mulher-furacão, mas tenho para mim que foi apenas porque ia derrubando uma mesa quando me levantei...

Vá, mas nada disto é defeito! São tudo marcas pessoais, que fazem de mim um ser inesquecível (nem que seja pelo motivo errado)! ;)

9 de Novembro de 2009

Tomás

Gosto de aventuras, mas as mudanças assustam-me. E se este acontecimento ainda me dói por demais, forcei-me a ultrapassá-lo. Agarrei em todas as forças que consegui e trouxe para casa o Tomás, crente de que me vai ajudar a curar as feridas.

Estamos ainda a adaptar-nos um ao outro, mas obriga-me a ser muito mais calma e paciente do que sou normalmente. De qualquer forma pensava que seria uma coisa mais fácil e menos dolorosa. Ele é a coisa mais fofa que existe, eu sei que é!! Dá imensos mimos e turras e faz todo o tipo de gracinhas, mas ... simplesmente não é o White e ainda me vêm muitas vezes as lágrimas aos olhos. :(

Tal como com os humanos, as relações de amor não se criam assim tão depressa. E no entretanto tudo ainda dói... (tanto)

Tenho-me perguntado se fiz a coisa certa. Se não substituímos as pessoas, porque o fazemos quando nos morre um animal de estimação?

7 de Novembro de 2009

Amanhã é um grande dia!

Alguém tem um palpite?? ;)

6 de Novembro de 2009

Sentir, apenas

Não sei falar de sentimentos. Sei demonstrar e dar tudo o que tenho cá dentro. Sei abraçar, beijar, consolar, acarinhar ... Mas quando chega a hora de falar, de admitir (oficialmente) o que sinto, simplesmente não consigo. As palavras ficam-me presas na garganta e os olhos enchem-se-me de lágrimas.

Mas sinto falta de dizer o que sinto (isto faz algum sentido?). Porque tenho receio que os meus gestos não bastem, que não sejam percebidos até que eu os diga e que acabem por rebentar cá dentro. Então faço o melhor que consigo: envio e-mails, sms e frases no msn. Voam os "adoro-te", os "tenho saudades tuas", os "queria tanto que estivesses aqui", o "és a minha melhor amiga"...

E detesto-me profundamente de cada vez que não consigo dizer o que sinto. Não devia ser tão fácil como sentir, apenas?

5 de Novembro de 2009

You think I'm ... what??

C.: (indignada) Mas ele pensa o quê? Que tu és uma atadinha sem amigos que fica em casa a ganhar mofo e nunca se diverte?
Eu: ... Basicamente, sim...
C.: Mas tu és uma das pessoas mais divertidas que conheço!!!
Eu: ...
C.: Olha, ele é que é um estúpido e arrogante!
Eu: ...
C.: E agora, o que é vais fazer?
Eu: Acho que isso agora já não interessa muito...

É que se há coisa que odeio é que tirem conclusões sobre a minha pessoa com base em factos que desconhecem (ou julgam conhecer).

Porque sim, sou das pessoas mais divertidas que existem, chegando muitas vezes a roçar o apalhaçado, mas apenas quando me dão abertura para tal e me fazem sentir confortável.

À 1ª vista sou introvertida e falo pouco, mas na hora da verdadeira diversão deixo-me descontrair e cai-me a máscara por completo. Não me importo nada de ser o centro das atenções, falo demais, rio que nem uma perdida e digo disparates em chorrilho.

Se me tomam por tótózinha sem me darem sequer oportunidade de mostrar o contrário, então alguém tem um problema grave e definitivamente não sou eu!!


P.S: Isto de dizer que nos estamos nas tintas para o que pensam de nós é muito bonito, mas na prática é tudo treta. Ralamo-nos e muito!

3 de Novembro de 2009

E foi nestes preparos que conheci a 1ª dama

Duas vezes por semana dou-me ao luxo de relaxar enquanto me massajam o corpo. É uma coisa que me sabe bem e me deixa levezinha como uma pena. Gosto particularmente do gabinete maior, com uns quadros mimosos na parede e um tapete fofinho no chão. E lá fico, em amena cavaqueira com a massagista, que tem os mesmos gostos musicais e cinematográficos que eu.

Ora hoje estava descansada da vida, de barriga para baixo, já meio adormecida, quando a moça me "acorda" com um safanão e me estende 1 robe vermelho:
- Veste isto, depressa, temos de sair daqui!!
- Hã? Mas que é que aconteceu?
- Vá, despacha-te, pega na tua roupa e sai daqui!
- Mas o que é que foi???
- Esqueci-me que a 1ª dama também vem a esta hora e tem de ficar neste gabinete!

E assim foi. Vesti o robe meio roto, peguei na minha tralha toda e saí pela porta lateral, rezando a todos os deuses para que ninguém me visse naqueles trajes. Bem dito, bem feito. Mal abri a porta dei de caras com a senhora, toda bem vestida e com um sorriso no rosto. Agradeceu-me e pediu desculpas pelo transtorno. Achei-a uma querida, pois achei, mas teria sido muito mais interessante se nos tivéssemos conhecido sem eu estar com aquele roupão vermelho horrível (que ainda por cima não tinha cordão - tenho a certeza que ela me viu a lingerie), sem as meias azul bebé calçadas e, sobretudo, se não estivesse com a mala ao ombro, a roupa toda no braço esquerdo e os sapatos na mão direita (mais ou menos como um ladrão em fuga).

Eu bem digo que as minhas relações com os VIP's estão destinadas ao fracasso!!

2 de Novembro de 2009

Travessuras

Adoro o Halloween. E não sei explicar o motivo. Talvez seja porque foi neste dia, há 10 anos atrás, que saí pela 1ª vez à noite (assim mesmo mesmo a sério, sem "adultos") e bebi os meus primeiros shots, mas creio que é sobretudo pela carga energética.

Não me apetece entrar pelos campos do misticismo e falar das origens desta tradição pagã, mas a verdade é que o sinto como um dia diferente, com um encanto especial. É o dia mais imprevisível do ano, em que sei que posso esperar as coisas mais estrambólicas. É o dia em que me apetece ser quem não sou (assim como no Carnaval mas versão perversa) e fazer grandes loucuras. Transformo-me, que posso fazer??

Quem esteve comigo viu os efeitos (ok, ok, é verdade que o narguilé tem uns efeitos psicóticos na minha pessoa) e palavra de honra que foi uma noite divertida à brava. Só faltou mesmo a travessura final, que me passou pela cabeça entre uma cachimbada e outra, enquanto via o mundo em carrocel. Mas cada coisa a seu tempo: a travessura será feita com muito jeitinho e um sorriso de malícia nos lábios...

Trick or Treat?? ;)

30 de Outubro de 2009

Eu merecia era uma carga de porrada!!

Hoje durante a aula de programação o formador falava no velhinho FrontPage. Já não ouvia falar daquele programa há anos e naquele instante tive um flashback brutal.

A minha viagem pelo mundo da tecnologia começou aos 13 anos. Tinha entrado para o clube de informática no colégio e era uma das responsáveis pela edição do jornal da escola (sim, sou nerd desde pequenina!). Começava a aprender a mexer naqueles bichos estranhos chamados computadores, que ocupavam uma mesa inteira, ainda não eram a cores e funcionavam com uma coisa feia, muito feia, chamada MS-DOS.

No ano seguinte, como me mostrei tão boa a dominar as máquinas, o meu pai decidiu oferecer-me um PC. Era lindo, moderno, a cores, tinha o Windows 95 e ainda trazia um modem como oferta. Foi o delírio. Era uma diversão brincar com aquilo, mexer em tudo... E foi assim que, aos 14 anos, sem qualquer formação na matéria, criei a minha 1ª página na net (no tal FrontPage). Era uma coisa infantil, pois claro que era, com um título parvo, muita bonecada e musiquinhas foleiras. Funcionava como um blog, com secções sobre mim, sobre os meus gostos, sobre os meus amigos, mas era o meu pequeno tesourinho e trabalhava nele todos os dias, com muito amor e carinho.

E nesta altura, em que me encontro a tirar um verdadeiro curso de web design, não me ocorre outra pergunta senão:

Mas onde é que eu estava com a cabeça??

Então: amante dos computadores e da internet desde os 13 anos, completamente auto-didacta, com facilidade em mexer em tudo o que é programinha, com 19 valores a Informática no 12º ano... e fui-me meter na faculdade a tirar um curso de Arqueologia?????? Palavra de honra que só à chapada pá!!

Vou só ali cortar os pulsos com uma lapiseira 0,5 e já volto, pode ser?

29 de Outubro de 2009

Eles até sabem ser queridos

Hoje, enquanto esperava por uma amiga, vi um senhor idoso sair de uma florista com um grande ramo de rosas vermelhas na mão. Estava bem arranjado, com o cabelo cuidadosamente penteado e a camisa bem engomada. Via-se claramente que estava ansioso: andava para trás e para a frente ensaiando mentalmente o discurso. Ora escondia o ramo atrás das costas ora o agarrava firmemente com as duas mãos. E não parava de olhar para uma porta do outro lado da rua. Até eu começei a ficar nervosa.

Ao fim de 1/4 de hora lá apareceu a senhora. Baixinha, de cabelo armado e ar enjoadito. Olhou para as flores que ele lhe estendeu, deu-lhe um beijo rápido e pronto. Não o abraçou, não o beijou loucamente, não chorou de alegria, não soltou uma exclamação e nem sequer agarrou o ramo. N-A-D-A!! Falou-lhe como se nada fosse e lá seguiram os dois, lado a lado, ele segurando o ramo numa mão, sem qualquer ânimo.

E esta cena partiu-me o coração, pois partiu. Então depois dos 60 um homem ainda tem romantismo suficiente para fazer um gesto destes e não recebe nada em troca? Depois queixamo-nos que eles não sabem fazer surpresas! Pudera, quando as fazem levam patadas!

O mundo está todo do avesso, de certeza! Ou então sou eu, que sou uma romântica incondicional e me desfaço em mel com mostras de afecto.

E se pudesse tinha eu dado um abraço ao homenzinho, só por ter gasto os olhinhos da cara num ramo tão lindo. E em seguida chamava uns quantos nomes feios ao raio da velha!

Postcrossing

Depois de ter visto isto no blog da prima M. tratei logo de me registar também. E confesso que é uma alegria enorme quando abro a caixa do correio (a verdadeira, não e-mail) e descubro postais vindos de qualquer parte do mundo. Os meus primeiros vieram da Holanda e da Nova Zelândia. O da Holanda foi enviado por uma senhora de 60 anos que, pelos interesses que escrevi no meu perfil, foi uma querida e achou que um postal com sapatilhas de ballet era mesmo a minha cara.

Eu ainda só enviei um, para uma pintora dos Estados Unidos, mas estou mortinha por continuar as trocas! :D

Isto é giro, não é? Voltar à velha moda da escrita em papel, com selos multi-coloridos! É receber um pedacinho de informação sobre uma qualquer pessoa num qualquer lugar distante, da qual nunca saberemos mais do que aquele cartão rabiscado.

Para quem tiver interesse neste tipo de coisa pode ver mais informação e registar-se aqui! ;)

26 de Outubro de 2009

A pedido de várias famílias

Porque nós, "gajas", somos cuscas por natureza e gostamos sempre de saber o que as amigas receberam no aniversário/Natal (e porque a C. me pressionou para escrever este post), aqui vai a foto do espólio recebido.

Perguntaram-me hoje qual foi o presente de que mais gostei, mas a verdade é que não sou capaz de responder. Porque sei que todos foram dados com carinho e mais do que o valor monetário (a que não ligo minimamente) o que conta a sério é o gesto em si. E sabendo como sou, garanto que lembro para sempre quem me deu cada parzinho de brincos.

O que mais surpreendeu foi sem dúvida o da M., porque se há coisa a que não estou acostumada é a receber flores e fico sempre comovida.

Pronto C., estás feliz agora que já sabes o que recebi? ;P

22 de Outubro de 2009

E agora pergunto eu

Todos sabem que o Outono é a época em que os rabiosques mais beijam a calçada. É ver a malta a "mandar tralhos" a torto e a direito, porque folhas secas + chuva é uma fórmula que não funciona tecnicamente bem.

E no meio disto tudo eu pergunto: já alguém viu um pombo escorregar e estatelar-se no chão?? Digam-me que sim, por favor!! Ou eu é que sou propensa a assistir a fenómenos estranhos?

A culpa de não gostar

No colégio eu era conhecida como a miúda que dava as melhores festas de anos. Quando chegava a 1ª semana de Outubro era ver os coleguinhas a serem todos muitos queridos para mim, mesmo aqueles que nunca me falavam. Era uma correria desatada para ver quem iam ser os convidados desse ano.

Eu gozava com a situação, pois claro que gozava, aproveitando ao máximo as atenções que me davam e as guloseimas oferecidas. Topava a intenção à distância, porque era criança mas não era parva.

A verdade é que os convites eram sempre comprados cerca de um mês antes, todos bonitos, floreados e em número exacto. Porque a selecção era uma coisa feita durante o ano inteiro, de acordo com os amigos mais importantes para mim. Nunca me deixei comprar por atenções de última hora nem por pedidos choramingas.

Ainda assim, mesmo tendo consciência da natureza interesseira das outras crianças (característica tipicamente humana, viria a descobrir mais tarde), era sempre com o coração apertado que entregava os pequenos envelopes. Porque se via naquele gesto uma forma especial de dizer "gosto de ti", também me contorcia de remorsos por excluir muitos deles daquilo que sabia ser um dos acontecimentos do ano.

Para mim a solução ideal seria convidar toda a gente, incluindo aqueles de que não gostava muito, só para não ter de lidar com aquele sentimento de culpa. Era uma espécie de egoísmo (porque na verdade só queria aliviar o meu pesar) misturado com uma tentativa inútil de atenuar o sofrimento alheio.

Felizmente hoje em dia não tenho qualquer dificuldade em distinguir publicamente o "gosto muito de ti" do "és-me completamente indiferente". Os outros que lidem com os sentimentos como puderem, que eu trato de fazer o mesmo. Que culpa pode haver em se gostar mais, ou menos, de uma pessoa?

20 de Outubro de 2009

Toda a gente sabe nadar?

Ontem no intervalo das aulas falava-se dos problemas ambientais e do degelo dos pólos. Um coleguinha meu (aquele mais estúpido, de que já falei aqui) começou a entrar em pânico. Mas mesmo mesmo!! E saiu-se com a brilhante frase (dita com o ar mais sério possível):

- Mas... mas... isso quer dizer o quê?? Que vamos morrer todos daqui a 20 anos ou que vamos apenas ficar debaixo de água?

Rebolei a rir, claro está! E só não tive um ataque de asma porque me controlei a tempo.

Quer dizer... ó filhinho, a não ser que entretanto ganhes guelras acho que vais morrer de qualquer forma! LOL

At the end of the day

- No, I'll just let it burn...

Obrigada Sara, adorei a surpresa!! :)

19 de Outubro de 2009

Hoje estou feliz. Mais que feliz, radiante!

Porque hoje é o meu dia!
Porque hoje não chove desde há muitos, muitos anos.
Porque cheguei a 1/4 de século mas não me sinto mais velha.
Porque Sábado vou fazer uma festa especial com os amigos especiais.
E porque vou ter um bolo de chocolate e soprar as velas e fazer um pedido, que é coisa que não faço desde os 15 anos.

Hoje estou feliz. Mais que feliz, radiante! E apetecia-me fazer como antigamente: pegar em chapéus e balões e distribuir saquinhos com guloseimas aos amiguinhos todos! Querem um? Juntem-se à festa, que hoje estou uma mãos-largas!!! :D

Parabéns também à Kikas, que teve a graça de nascer no mesmo dia que eu (apenas uns aninhos mais tarde)

18 de Outubro de 2009

Os namorados, as amigas e os namorados das amigas

- "Mas porque é que nós nunca gostamos dos namorados das amigas?" - perguntou-me ontem com um ar muito sério.

Não lhe soube responder na altura, mas meditando um pouco sobre o assunto não me foi difícil perceber a explicação.

É sabido que nós, mulheres, somos românticas por natureza e gostamos de contar a nossa vida amorosa às amigas. Contamos as partes boas (em que eles nos dizem que nos adoram, nos oferecem flores, nos beijam o pescoço, nos proporcionam noites de sexo escaldante, etc.) mas sobretudo as partes más. E não é cinismo, acreditem, longe disso! É que as partes boas por vezes são tão profundas, tão sentidas, tão grandes e tão especiais que é impossível pô-las em palavras. Preferimos guardar os bons momentos só para nós, porque só fazem sentido assim, mantidos em segredo. Com os momentos maus acontece o oposto, porque por vezes eles nos magoam a sério e dizem coisas sem pensar. Coisas que doem a valer e nos custa a guardar cá dentro. Coisas que só passam se contarmos a outras mulheres, que nos amparam e compreendem e dizem que vai tudo correr bem e que os homens são mesmo uns idiotas.

E neste ponto sim, somos totalmente egoístas, porque guardamos o melhor e partilhamos apenas o desagradável, o que equivale a dizer que passamos a imagem de que namoramos com uma verdadeira besta quadrada sem qualquer sentimento. E assim se cria aquele ódiozinho de estimação, porque, pelo menos para mim, é-me relativamente fácil perdoar quando me magoam, mas é extremamente difícil esquecer quando magoam as pessoas de quem gosto.

Portanto concluo que sim, é normal ter um rancorzinho especial em relação aos namorados das amigas.* É um sentimento de protecção feminino, completamente estúpido e despropositado, mas ainda assim existente.

*Nota: isto não é regra geral. Pondo na balança são mais os namorados de quem gosto do que aqueles que não posso ver à frente. É uma coisa que depende não só de vocês, homens, mas também de nós, mulheres, e do nosso maior ou menor grau de tagarelice. De qualquer modo garanto-vos que um homem que faça uma amiga minha feliz vai sempre ter em mim uma aliada.
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